terça-feira, 23 de outubro de 2012

un'unica parola: PERFETTA


Há momentos durante a vida que simplesmente são impossíveis de descrever, mas a nossa ignorância (humana) continua a tentar!

Levantamos-nos de manha, com destino a Vicenza, esperando ver obras de mestria arquitectónica como tantas vezes havíamos feito.
Estávamos longe de imaginar o que viríamos a sentir...


Ao chegar a Vicenza, na estrada principal entre Pádova e Vicenza, eis que surge uma paisagem como nunca havia visto, pelo menos nunca havia tido tal sensação ao avistar algo que já estava à espera de encontrar!

Ali estava Ela! Imponente, magistral, leve e simultaneamente com a presença de quem domina todo o território que a envolve. 

Não fazia parte da paisagem, a paisagem é que fazia parte d'Ela.


                                            

Já cá havia estado há 2 anos atrás, mas só agora tive o privilégio de ser afortunada com esta chegada aterradora a uma das mais belas obras de arte do Mundo (creio eu, que tão pouco conheço do mundo).
É Dona e senhora de Vicenza e de uma arquitectura perfeita, que se tornava cada vez mais perfeita ao longo de toda a visita (sim, era possível).


Saímos na estação, ansiosas por apanhar o autocarro e partir à descoberta do que nos esperava com toda a sua serenidade e importância naturais.

A entrada pode, para alguns, ficar "à quem" de tal imponência, na minha opinião, apenas se prepara para revelar um dos mais belos segredos da arquitectura mundial, tal como a entrada de um tesouro guarda no seu interior a mais bela das relíquias. 


Fomos subindo, admirando cada canto dos seus jardins, ignorando a quantidade de pessoas, de excursões, a multiplicidade de línguas, e tentando imaginar o que iria desvendar o seu interior...


No interior não são permitidas fotos, e nunca senti tanto respeito nem atribuí tanta razão a esta norma... 

É algo que nenhuma foto chegaria a conseguir retratar, ou sequer chegar lá perto! Só sentindo, só vivendo, só absorvendo tal espaço, tal perfeição, tal proporção, tal harmonia e tal beleza!

O espaço transmite sensações, e a tranquilidade e equilíbrio presentes aqui, reflectem-se em nós, fazendo com que tudo pareça perfeito para além da construção e da arquitectura.
E tudo isto complementado por uma verdadeira galeria de arte, que consiste na decoração minuciosa do interior. As paredes cobertas de frescos, os tectos decorados de forma escultórica, todas as portas tinham frisos magnificamente concebidos...e começo a achar que faltam palavras para descrever toda aquela beleza, todo aquele museu que um dia foi habitável... 

Vivia ali gente, mas que gente afortunada por viver num espaço assim! Note-se, não é um palácio (como Versalhes onde também já entrei e não tanto me espantou) é uma 'villa', uma casa familiar, uma quinta...um Museu!



Compreendo agora, o entusiasmo com que muitas vezes ouvi falar acerca desta obra, compreendo a admiração por tal presente do Séc.:XVI, que desde os meus tempos de secundário me deixou curiosa por perceber o que ali acontecia. Absolutamente fascinante.


O que os nossos olhos alcançam a partir de tal espaço, a sensação plena de uma composição perfeita (implantação, envolvente, espaço interior, comunicação directa com o exterior onde todos os alinhamentos e pontos de "olhar" têm aberturas para um espaço perfeito de paisagem ou jardim), não se descreve por muito esforço que se faça. O ideal é mesmo visitar.

E desenhar...
Villa Rotonda by Mariana Oliveira (no local)

planta esquemática de compreensão by Juliana Rocha (no local)

4 comentários:

  1. Que lindo, Ju!
    Quem é que não fica com vontade de visitar a Villa Rotonda, depois de ler a tua descrição tão poética e sentida?
    Beijinho para as duas

    ResponderEliminar
  2. Este comentário foi removido pelo autor.

    ResponderEliminar
  3. Obrigada =)
    Quando lá quiser ir, guias já tem ;)!
    Beijinhos

    ResponderEliminar
  4. Pena não termos conseguido lá ir... mas pelo menos tivemos direito a um espectáculo de luzes no bello teatro do Palladio. ;)

    ResponderEliminar